A crise de 27
Análise socioeconômica e política do cenário brasileiro
*Minha área de atuação é TI, eu entendo muito sobre tecnologia e computação e pouco sobre economia no geral, então esse texto é apenas a minha reflexão sobre o que está acontecendo e poderá acontecer a curto prazo no cenário econômico e político brasileiro.
Uma análise econômica e política do nosso cenário não pode se dar apenas por um único fator ou um evento separado, para entender a parte é preciso a análise do todo. Vamos fazer uma recapitulação do que vem acontecendo no mundo nos últimos meses/anos e como isso pode/afeta o Brasil.
America (Fuck-yeah)
O cenário americano influencia diretamente todo o mundo, então o que acontece na América praticamente dita o que vai acontecer no Brasil.
O período pandêmico causou uma grande inflação nos preços dos produtos e serviços prestados, o descontentamento com o governo Biden e a sede ao pote dos democratas no avanço das pautas DEI (Diversity, Equity, and Inclusion) não alegrou os americanos.
Com a inflação pesando no bolso, a forma de entretenimento tomada pela agenda política esquerdista torna o descontentamento visível, combinando isso ao grande senso de patriotismo americano, assim uma figura (não muito agradável) mas que prega Make America Great Again não tinha chances de perder.
A deportação em massa propagada no discurso trumpista não era só o desejado pelos americanos, apesar da grande proposta ser por motivos econômicos, eles miraram em um problema e acertaram em outro.
A economia anda a passos curtos, a grande parte da população acredita que a falta de emprego e instabilidade vêm do grande número de imigrantes, apesar dos dados dizerem o contrário, a percepção americana segue essa linha de raciocínio.
A realidade é que o impacto imediato sentido pela própria população é a diminuição da criminalidade, principalmente na região de Washington D.C.

Há nesse momento dois tipos de eleitores nos Estados Unidos, os trumpistas que votaram nele pois era a única via para começar o processo de estabilização econômica – ou seja, essa pessoa está olhando para o longo prazo, ela sabe que essa questão não será resolvida de imediato e nem facilmente.
O segundo eleitor democrata vê o regime do Trump como uma ameaça, pois por anos eles acreditavam que a economia e segurança pública vinham bem, sendo financiados e bancados pelo próprio governo para avançar a agenda política, não enxergavam o problema econômico que vinha crescendo dentro do país – seja pela questão da terceirização para os chineses, seja pela política imigratória.
Ainda agora a situação não é boa, a taxa de desemprego atingiu seu ápice em 3 anos, a confiança que o povo americano tinha em seu próprio país e governo está abalada. Com o acesso ao financiamento político e o dinheiro se tornando caro, empresas começaram a limpar seus escritórios; em pouco tempo os funcionários DEI foram cortados – eles não produziam de fato valor para a empresa, estavam empregados justamente para sinalizar virtude e conseguir benefícios governamentais.
Com o desemprego em alta e um avanço pequeno na industrialização dos últimos anos – afinal tudo foi repassado para a produção chinesa – a desconfiança do mercado faz com que o americano médio passe a comprar menos; a produção está estagnada pela falta de empresas residentes no próprio país, juntando isso à inflação nesse período, temos uma possível crise a caminho.
A morte do século
O assassinato de Charlie Kirk parou o mundo, os americanos estão assustados. Um esquerdista completamente corroído pela ideologia política assassina a voz mainstream americana da direita; pouco antes disso houve o atentado a Donald Trump em um palanque político em sua candidatura.
A direita tenta prestar suas condolências à família e amigos enquanto os democratas comemoram. O caso da ucraniana assassinada a sangue frio por um jovem negro que já foi liberado anteriormente por democratas e abafado pela mídia gera um senso de revolta – a direita está enxergando que os problemas não eram apenas os imigrantes e sim todos os democratas. Vídeo
O posicionamento de tropas militares na Venezuela não é apenas uma demonstração de virtude e uma pauta política para a aprovação do Trump, é uma demonstração de poder sobre o regime comunista – a mensagem que está sendo passada é simples: o comunismo vai ser suprimido internamente e externamente.
Inteligencia artificial
Um dos investidores mais conhecidos mundialmente — o mesmo que previu a crise imobiliária de 2008 — voltou a aparecer no noticiário apostando contra as gigantes de tecnologia ligadas à IA. Para ele, estamos diante de uma situação que lembra outras bolhas históricas: um crescimento acelerado demais, sustentado por expectativas e investimentos que talvez não se justifiquem pelos lucros reais no curto prazo.
A lógica dessa bolha não está apenas no hype da IA, mas no tamanho dos investimentos necessários para mantê-la. O desenvolvimento dos maiores modelos depende de hardware extremamente caro, especialmente GPUs de alto desempenho produzidas pela Nvidia. Essa empresa se tornou, na prática, o “coração” da infraestrutura global de IA — e isso cria um ecossistema altamente concentrado.
As big techs e empresas de IA investem bilhões na compra desses equipamentos. A Nvidia cresce impulsionada por essa demanda extraordinária, e o mercado inteiro passa a acreditar que esse crescimento será infinito. Mas existe um ponto frágil: a maioria das empresas que usa IA ainda não gera receitas proporcionais ao custo de manutenção desses modelos.
O retorno financeiro é muito menor do que o capital investido, e isso significa que boa parte da valorização das empresas está baseada em expectativas futuras — não em fluxo de caixa atual.
Esse descompasso cria o risco clássico de bolha:
alto investimento → pouca lucratividade → necessidade contínua de capital → valuations inflados → vulnerabilidade a qualquer queda na demanda.
A situação fica ainda mais delicada porque empresas do mundo todo estão se tornando dependentes da IA para operar. Se os custos de hardware subirem — ou se alguma peça dessa cadeia, como a Nvidia, sofrer desaceleração ou choque financeiro — isso pode ser repassado diretamente aos desenvolvedores de modelos e, em seguida, aos consumidores e às empresas que utilizam a tecnologia. Ou seja: uma falha no topo pode gerar um efeito cascata no ecossistema inteiro.
Então, mesmo com os avanços reais e impressionantes da IA, há sinais claros de superaquecimento:
gasto massivo antes da lucratividade;
dependência de infraestrutura extremamente concentrada;
valuations muito acima do retorno financeiro;
empresas operando com margens negativas apenas para não “ficar para trás”.
Tudo isso sustenta a hipótese central: a IA está vivendo uma bolha — talvez não tecnológica, mas econômica e financeira — e ela pode estourar se a realidade demorar mais do que o previsto para justificar os investimentos.
Brasil
O Brasil está atrás de tudo que acontece no mundo (como sempre). Se acompanharmos o valor do dólar americano ele vem caindo desde o último ano, isso não se dá pelo governo brasileiro e sim pela crise que está se instaurando na América.
As medidas do governo Trump visam melhorar a situação do americano, tentando trazer para dentro do país mais empresas (com as taxações internacionais) e assim mais empregos, enquanto devolve a seu país estrangeiros que estavam causando problemas. Essas medidas fazem o dólar desvalorizar não só no Brasil mas no mundo todo.
A desaprovação do governo Lula, o aumento de preços, junto com a pressão estrangeira no país e na Venezuela causam um cenário propício para as eleições de 2027.
A alta cúpula de investidores brasileiros olha para o longo prazo com uma visão boa da não reeleição do atual presidente para as próximas eleições.
A curto prazo isso pode fazer o dólar cair – devido aos fatores americanos – porém isso não será permanente; a minha visão é que por um curto período talvez vejamos o dólar abaixo de R$5 (sendo muito otimista, porém o mais provável é que continue na faixa dos R$5,50).
Com essa instabilidade econômica externa, e a instabilidade interna devido aos gastos do governo, uma crise também está à vista no Brasil. Do mesmo jeito que para o americano, o brasileiro tende a consumir menos, fazendo assim a economia desacelerar; a única forma de contornar isso seria abaixando os impostos e reduzindo a criminalidade, o que é impossível devido aos gastos feitos pelo atual governo e as políticas públicas referentes ao crime organizado, afinal:
Os traficantes são vítimas dos usuários - Lula 2025
Então temos a combinação explosiva que pode acontecer ainda durante o período eleitoral de 2027.
A pauta DEI ainda está se desfazendo no Brasil, muito pela influência americana, ainda estamos à beira de presenciar uma grande demissão em massa nas empresas brasileiras, juntando isso à grande taxa de desemprego no Brasil, ao aumento considerável do dólar e à inflação brasileira.
Embora o IPCA oficial aponte cerca de 5% ao ano durante o governo Lula, vários indicadores mostram que o custo de vida real cresceu muito mais do que isso.
O agregado monetário M2 — que mede a quantidade de dinheiro e depósitos na economia — aumentou de forma consistente no período, o que indica um ambiente de maior liquidez.
Não é correto usar o M2 como índice de inflação, mas um crescimento acelerado da base monetária combinado com gastos públicos elevados tende a pressionar os preços ao longo do tempo.
Quando observamos categorias como aluguel, alimentação, planos de saúde e serviços, vemos aumentos acumulados que se aproximam de 15%–20% desde 2023, o que explica por que muitos brasileiros sentem uma inflação muito superior.
Com rombo fiscal e aumento na arrecadação de impostos, fora os escândalos de corrupção do Banco Master e Aposentão, prevejo um cenário onde o dólar vai passar os R$6 facilmente ao final de 2027 ou 2028 e se manter assim ao longo do novo governo, pois a bomba vai estourar na mão do novo presidente.
2027
As previsões para o futuro são tenebrosas, uma crise global que vai afetar a vida do brasileiro. Com a criminalidade em alta e a falta de esperança em um regime melhor, a baixa de consumo, com o brasileiro apertando o cinto e assim diminuindo o dinheiro rodando na economia, temos um cenário onde as contas públicas vão estourar.
Com a falta de pagamento para funcionários públicos junto com a queda das estatais, temos falta de dinheiro no país.
Uma solução para essa saída é o aumento da produtividade do brasileiro – que poderia se dar pelo uso de inteligência artificial –, porém como vimos esse cenário pode se tornar um problema no curto prazo.
O brasileiro em si sabe gerir uma crise muito bem, somos experts em se reinventar e achar uma saída, mas os dados não são muito animadores.
Junto com a crise vem a oportunidade, podemos ver nos próximos anos e meses uma evolução brasileira nunca vista antes, justamente pela necessidade de se manter de pé.
Foi preciso cavar além do fundo do poço para ver que a única saída é escalando. E a escalada vai começar em 2029–2030, após um período de depressão.
Aqueles que se prepararem para esse cenário podem surfar uma grande onda, justamente por encontrarem na crise eminente uma saída.






